quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Texto Trabalhado - O Casamento dos Pequenos Burgueses

O casamento dos pequenos burgueses
BUARQUE, Chico: Ópera do malandro

Ele faz o noivo correto
E ela faz que quase desmaia.
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a casa caia
Até que a casa caia.
Ele é o empregado discreto.
Ela engoma o seu colarinho.
Vão viver sob o mesmo teto
Até explodir o ninho
Até explodir o ninho.
Ele faz o macho irrequieto.
E ela faz crianças de monte.
Vão viver sob o mesmo teto
Até secar a fonte
Até secar a fonte.
Ele é o funcionário completo.
E ela aprende a fazer suspiros.
Vão viver sob o mesmo teto
Até trocarem tiros
Até trocarem tiros.
Ele tem um caso secreto.
Ela diz que não sai dos trilhos.
Vão viver sob o mesmo teto
Até casarem os filhos
Até casarem os filhos.
Ele fala em cianureto.
E ela sonha com formicida.
Vão viver sob o mesmo teto
Até que alguém decida
Até que alguém decida.
Ele tem um velho projeto.
Ela tem um monte de estrias.
Vão viver sob o mesmo teto
Até o fim dos dias
Até o fim dos dias.
Ele às vezes cede um afeto.
Ela só se despe no escuro.
Vão viver sob o mesmo teto
Até um breve futuro
Até um breve futuro.
Ela esquenta a papa do neto.
E ele quase que fez fortuna.
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a morte os una
Até que a morte os una.

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